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Mensuração··3 min

Quatro famílias de método causal em commerce media

O IAB publicou em novembro de 2025 quatro famílias formais de método de mensuração causal em commerce media. Em maio de 2026, nenhuma das quatro tem padrão de execução publicado no Brasil.

Cada família resolve um pedaço diferente do problema causal — e cada uma tem força e limitação técnica específica que define quando faz sentido usar.

O que mudou

As Guidelines for Incremental Measurement in Commerce Media, publicadas pelo IAB com o IAB Europe em novembro de 2025, são a primeira régua global formal para mensuração causal em commerce media. O documento define incrementalidade como impacto causal mensurável e categoriza quatro famílias de método, com força causal, escopo e aplicação apropriada para cada uma.

A linha do tempo dessa formalização: IAB/MRC Retail Media Measurement em janeiro de 2024, IAB Incremental Measurement em novembro de 2025 e IAB Europe V2 em janeiro de 2026.

As quatro famílias

Experiment-based

RCT, geo-holdout e test/control com matched-market. Força causal alta, escopo limitado pela capacidade de aleatorização — indicada para validação pontual de hipótese de incrementalidade. A Albertsons Media Collective publicou em janeiro de 2026 um framework com quase 60 variáveis para matched-market in-store.

Model-based counterfactual

Synthetic control e propensity score matching. Força causal média-alta, escopo grande, depende da qualidade do modelo — indicada para escala onde aleatorização não é viável. Kellogg/Ovative/Albertsons documentaram em 2025 variação de até 6,5x no iROAS reportado dependendo apenas da escolha de método, com 83% das 42 campanhas analisadas mudando de positivo para negativo quando a metodologia muda.

Econometric

MMM com camada causal e MTA estruturado. Força causal média, escopo nacional, depende de série temporal longa — indicada para alocação cross-channel. Ainda dominante em CPG.

Hybrid proxies

Combinação calibrada das três famílias anteriores. Força causal alta quando bem calibrado, complexidade operacional alta — indicada para RMNs maduras com múltiplos sinais. É para onde as RMNs maduras estão indo.

Por que importa

Mensuração. Comparabilidade. Padronização.

Cara Pratt, presidente Global Retail and Media da Circana, disse em entrevista que sem reconstruir confiança no lado da mensuração essa indústria vai desacelerar em crescimento.

Segundo a ANA Retail Media Networks Survey, 71% dos advertisers americanos colocam incrementalidade como o KPI mais importante — e 55% identificam a falta de padronização entre plataformas como o maior desafio.

O estado no Brasil

O IAB Brasil constituiu para 2026 o Comitê de Mensuração e o Comitê de Retail Media — primeira estrutura regional com mandato formal para padronizar métrica, transparência e uso de first-party data em retail media. O guideline ainda não saiu. Cada rede continua publicando ROAS com janela própria, dedupe próprio, escopo próprio.

O contraste com os EUA, família a família, em maio de 2026: experiment-based tem o framework da Albertsons Media Collective publicado lá — sem padrão regional aqui; model-based counterfactual tem documentação do IAB — sem padrão regional; econometric é prática estabelecida — aqui, fragmentada por anunciante; hybrid proxies aparece como combinação em RMNs maduras — não aplicável.

Se você opera em mais de uma RMN brasileira hoje: qual dessas quatro famílias tem método de execução documentado pelo seu time — e em quantas das suas redes ele é comparável de fato?